Alaia: O que é?

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Mar 8, 2019 Eventos

Alaia: O que é?

História

A Alaia está presente no cerne da história do surgimento do surf. O surf surge em diversas partes do mundo, em diferentes épocas, com diferentes tipos de “prancha” e com diferentes propostas, não tendo o seu viés recreacional como hoje, no século XXI.

As primeiras evidências são do Peru, de civilizações Pré-Incas (1000 a 3000 a.C), com os Caballitos de Totora, feitos em palha de totora, utilizados principalmente para a pesca. É possível que tenham sido usadas por diversão também, como afirmam alguns arqueólogos. Soma-se o fato de que a onda mais longa do planeta, Chicama, fazia parte do pequeno império dessa civilização Pré-Inca, os Moches. Os Caballitos de Totora são usados até hoje no Peru.

Outras evidências datam do antigo Hawaii, onde também não era considerado uma mera atividade recreacional. Os hawaiianos integraram o surf a sua cultura, mais como uma arte do que como um esporte. Há muitos relatos sobre antigos reis havaianos que surfavam em certas praias, e tinham suas “pranchas” como posses preciosas. Existiam basicamente 3 tipos de shape (em ordem decrescente de tamanho): Olo, Kiko’o, e Alaia, todas feitas em madeira, e não apresentavam quilhas. A Alaia está então nas raízes do surf representando muita história, arqueologia, e hipóteses sobre o surgimento do esporte.

De 7 a 12 pés, as Alaias, ou Itaka (cujo nome foi usado pelos japoneses), poderiam pesar até 45kg. Eram feitas originalmente de árvores nativas como acácia (koa), ‘ulu ou wiliwili, onde escolhiam minuciosamente as madeiras para a confecção das pranchas. Infelizmente, a cultura das “Alaias” parece ter ficado latente, e praticamente desaparecido no século XX. Foi somente em 2006, quando os australianos Tom e Jon Wegener trouxeram de volta a cultura das Alaias, reformulando os antigos shapes e fazendo com que as Alaias pudessem se encaixar melhor no surf moderno. A sua principal adaptação foi utilizar a madeira da árvore de Paulownia, que é muito mais leve, resistente, e absorvia bem menos água salgada que as madeiras nativas do Hawaii.

Em 2009, o diretor Thomas Campbell lança o documentário The Present, onde dedica longos minutos exclusivamente para as pranchas de madeira sem quilha. É memorável o momento em que surfam verdadeiras bombas (com muito estilo finless) em Sunset Beach, e Waimea, colocando em cheque a surfabilidade de uma prancha considerada ainda por muitos, obsoleta. Além disso, nesse documentário aparecem Rob Machado, Dave Rastovich, entre outras lendas do surf clássico, mostrando o que é possível se fazer com uma Alaia. Dessa forma, a Alaia volta a obter uma maior popularidade no mundo do surf, aliando seu estilo único ao seu impacto ambiental praticamente inexistente.

 

 

Sobre as Alaia Modernas

As Alaias modernas podem ser feitas de diversos tipos de madeira, como: Redwood, Cedro, Pinus, Balsa e especialmente de Paulownia (por diversas razões). Clique aqui para saber tudo sobre a Paulownia.

As alaias podem ser shapeadas em apenas 2 dias de trabalho intenso, como é feito nos Workshops David Weber Surfboards.

 

 

Vantagens

- Facilidade para shapear, pode ser shapeada em qualquer lugar, por qualquer pessoa em apenas 2 dias de trabalho.

- Pode ser re-shapeada a qualquer momento (caso quebre, ou até mesmo enjoe).

- Baixo custo de produção.

- Impacto ambiental praticamente inexistente (utilize madeira de reflorestamento).

- Ótima para um dia de ondas pequenas, onde pranchas convencionais sofrem dificuldade. Também podem ser utilizadas em dias de ondas grandes com muito sucesso. Assista o documentário The Present, de Thomas Campbell e veja você mesmo.

 - Muito rápida. Como não possui quilhas, o arrasto é insignificante, fazendo com que essa prancha seja incrivelmente rápida, tanto em ondas grandes como pequenas

 

 

Stiletto: uma nova concepção de Alaia

Apesar de todo o glamour da querida Alaia, um ponto crucial na sua surfabilidade ainda é a sua dificuldade na remada, pois ela apresenta muito pouca flutuação, o que dificulta a muitos surfistas, fazendo com que desistam de surfar com essa prancha. Foi pensando nisso que o Shaper e Engenheiro David Weber criou uma solução sustentável para esse problema. 

David desenvolveu uma Alaia ainda mais moderna, dessa vez, oca. Utilizando ainda a madeira de Paulownia, o shaper conseguiu desenvolver uma prancha com aparência praticamente igual ao de uma Alaia maciça, e com mais flutuação (proporcionando uma maior remada). Essa mistura de obra de arte com engenharia foi batizada de Stiletto, em homenagem a borda da Alaia que por ser afiada funciona como quilha na onda. Junto com o surfista Fábio “Binho” Nunes, David Weber produziu e testou diversos shapes/variações da Stiletto, aprimorando diariamente sua surfabilidade. 

É possível construir (você mesmo) tanto Alaias, como a Stiletto nos Workshops ministrados pela David Weber Surfboards. A surfabilidade e a performance não são comprometidas ao construir você mesmo a prancha. O próprio Binho Nunes fez com suas próprias mãos algumas Stilettos, onde teve a oportunidade de testar em longas ondas no Peru e no Hawaii, se conectando com raízes do soul surf.

"Deslizar sem quilhas sobre uma onda é a forma mais pura de se surfar. É como tudo começou. Binho Nunes revisitando às raízes do surf a bordo de uma prancha Alaia nas ondas do litoral brasileiro."

 

 

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