Por que deixei as ferramentas elétricas de lado?

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Aug 21, 2026 Eventos

Por que deixei as ferramentas elétricas de lado?

Teve uma época em que minha oficina parecia uma marcenaria de verdade. Algumas das ferramentas que eu costumava usar bastante eram a plaina elétrica, serra circular de bancada, serra circular portátil, tico-tico e furadeira. Normalmente são ferramentas que fazem muito barulho, e hoje sobrou só a furadeira. Nem mesmo a lixadeira tenho usado. E foi a melhor coisa que eu pude fazer pra deixar esse momento de fazer o shape bem mais tranquilo.

Quando eu comecei, tinham muitas ferramentas na oficina, e muitas vezes tinha o perigo de passar do ponto, desbastando demais, era fácil de dar problema. Sem contar com o perigo que era trabalhar com elas. Então eu costumava usar a plaina elétrica pra desbastar rápido a borda da prancha, a serra circular de bancada, serra circular portátil, e a tico-tico pra fazer os cortes em curva, e a furadeira pra tudo que precisava de furo. Todas essas ferramentas que eu usava aceleravam o processo todo, só que junto vinha o barulho e muita poeira, os cabos ficavam espalhados por todas as partes, só que sempre parecia que a essência de fazer as pranchas ficava de lado. Aos poucos percebi que o que eu mais gostava era de usar as ferramentas manuais.

A primeira ferramenta a sair foi a serra circular de mesa e a segunda foi a plaina elétrica. Eu moro em condomínio, e não dá pra ligar essas máquinas sem incomodar os vizinhos, então foi questão de tempo até que o silêncio virou questão de convivência antes de ser uma escolha minha.

Mas outro grande motivo para aos poucos largar essas ferramentas foi a segurança, já que minha oficina é na minha casa e  meus filhos apareciam na oficina também, então o ideal era que tivesse menos perigo possível. Sem contar que qualquer descuido com uma máquina dessas pode machucar ou perder a prancha.

Há muitos anos não uso mais a plaina elétrica, além do barulho, usar a plaina manual acabou combinando muito mais com a essência do meu trabalho, que é a conexão com a natureza. 

Também passei a usar um simples estilete ao invés de uma serra elétrica. Quem olha de primeira nem imagina que o estilete simples dá pra trabalhar com tanta precisão quanto uma máquina. 

Todas essas substituições me fizeram enxergar o processo de construir as pranchas como arte.

Essencialmente, no shape não uso nenhuma ferramenta elétrica. Na etapa final, uso  a furadeira, mas só para colocar a válvula e pra instalar os plugs. 

Resumidamente, trabalhar com as mãos, no ritmo próprio, muda totalmente a forma como você enxerga construir pranchas de madeira. Quem fez o meu Workshop sabe do que estou falando.

Toda prancha carrega uma história. Quando você faz a sua prancha com ferramentas manuais do início ao fim, você está se conectando com a natureza e com você mesmo.

E depois, quando for surfar, você vai saber do que estou falando.

Boas ondas!

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