Tags: pranchas, surf, Ferramentas, prancha de madeira, workshop,
Teve uma época em que minha oficina parecia uma marcenaria de verdade. Algumas das ferramentas que eu costumava usar bastante eram a plaina elétrica, serra circular de bancada, serra circular portátil, tico-tico e furadeira. Normalmente são ferramentas que fazem muito barulho, e hoje sobrou só a furadeira. Nem mesmo a lixadeira tenho usado. E foi a melhor coisa que eu pude fazer pra deixar esse momento de fazer o shape bem mais tranquilo.
Quando eu comecei, tinham muitas ferramentas na oficina, e muitas vezes tinha o perigo de passar do ponto, desbastando demais, era fácil de dar problema. Sem contar com o perigo que era trabalhar com elas. Então eu costumava usar a plaina elétrica pra desbastar rápido a borda da prancha, a serra circular de bancada, serra circular portátil, e a tico-tico pra fazer os cortes em curva, e a furadeira pra tudo que precisava de furo. Todas essas ferramentas que eu usava aceleravam o processo todo, só que junto vinha o barulho e muita poeira, os cabos ficavam espalhados por todas as partes, só que sempre parecia que a essência de fazer as pranchas ficava de lado. Aos poucos percebi que o que eu mais gostava era de usar as ferramentas manuais.

A primeira ferramenta a sair foi a serra circular de mesa e a segunda foi a plaina elétrica. Eu moro em condomínio, e não dá pra ligar essas máquinas sem incomodar os vizinhos, então foi questão de tempo até que o silêncio virou questão de convivência antes de ser uma escolha minha.
Mas outro grande motivo para aos poucos largar essas ferramentas foi a segurança, já que minha oficina é na minha casa e meus filhos apareciam na oficina também, então o ideal era que tivesse menos perigo possível. Sem contar que qualquer descuido com uma máquina dessas pode machucar ou perder a prancha.
Há muitos anos não uso mais a plaina elétrica, além do barulho, usar a plaina manual acabou combinando muito mais com a essência do meu trabalho, que é a conexão com a natureza.
Também passei a usar um simples estilete ao invés de uma serra elétrica. Quem olha de primeira nem imagina que o estilete simples dá pra trabalhar com tanta precisão quanto uma máquina.
Todas essas substituições me fizeram enxergar o processo de construir as pranchas como arte.

Essencialmente, no shape não uso nenhuma ferramenta elétrica. Na etapa final, uso a furadeira, mas só para colocar a válvula e pra instalar os plugs.
Resumidamente, trabalhar com as mãos, no ritmo próprio, muda totalmente a forma como você enxerga construir pranchas de madeira. Quem fez o meu Workshop sabe do que estou falando.
Toda prancha carrega uma história. Quando você faz a sua prancha com ferramentas manuais do início ao fim, você está se conectando com a natureza e com você mesmo.
E depois, quando for surfar, você vai saber do que estou falando.
Boas ondas!
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